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Fake News

O jornalista na era da informação

Ninguém escuta rádio. Ninguém assiste televisão. Tudo está na internet; e se está na internet, é verdade. Dizem que o jornalismo morreu. Hoje o discurso é esse mas, há 5 anos, as verdadeiras notícias estavam naquele papel que só tinha validade de um dia – porque no dia seguinte ele estaria servindo de invólucro para vidros quebrados, mictório para cachorro ou simplesmente lixo. A notícia é tão efêmera quanto o tempo que passa sem que seja percebido. Tão rápido quanto as atualizações do feed do Twitter.

Nesse mundo líquido, onde os fatos são apreendidos em questão de minuto, questiona-se: qual o papel do jornalista na era da informação? Qual a função de um transmissor de notícias, quando a notícia já foi vista, compartilhada, revista, comentada, condenada e absolvida antes mesmo do jornal ir ao ar? Se o produto jornalístico é a novidade, e se vivemos num mundo onde nada mais é novo, porque ainda existem pessoas que acreditam no trabalho jornalístico?

A resposta nem é tão complicada: o papel do jornalista não se resume à exposição de um fato. O produto jornalístico, ou melhor, os produtos jornalísticos vão além da exposição da notícia. É explicação, contextualização, enquadramento e, também, posicionamento. Não é apenas mostrar: é informar. Principalmente nos tempos de hoje, o jornalista não pode se abster da pesquisa e, muito menos, da checagem.

É fato que boatos e notícias falsas sempre existiram. A curiosidade e a busca por informações são intrínsecas ao ser humano. Entretanto, com a internet, as fake news ganharam proporções gigantescas, afetando direta e indiretamente os cidadãos, influenciando a convivência comunitária e até mesmo as decisões políticas. É nesse contexto que a principal função do jornalista entra em cena: apuração. Hoje, mais do que nunca, o serviço prestado por esses comunicadores à sociedade se relaciona com a veracidade da notícia. Muitas vezes não é discutir se aconteceu, mas discutir como aconteceu.

O jornalismo vive. E porque vive, está em constante transformação. Se antes a mediação da notícia era feita através dos jornalistas, hoje eles servem para checar a forma como essa mediação foi feita. Na era da informação, conteúdos não faltam. Mas falta curadoria, enquadramento, checagem. Esses são os papéis do jornalista na era da informação.